5 de abril de 2012

Ser dama...

O pensar e o sentir.
Contato corporal, ação e reação, intensão, entrega.
É como se cada parte do corpo da dama tivesse um botão que ao ser acionado pelo cavalheiro, surge um  movimento.
Me referindo ao Zouk, a condução da cabeça pode ser feita tanto pelo pescoço quanto pelos ombros e pelo pulso, detalhes que fazem toda a diferença. Por isso que é importante que a dama esteja sempre firme para conseguir entender a condução, braços, pescoço, tronco, precisam sempre fazer uma força contrária ao toque do cavalheiro. Se o cavalheiro empurra com uma intensidade o braço, a dama tem que responder com a mesma intensidade para que haja um ponto de equilíbrio, o entendimento dos comandos ficam mais fáceis. Um toque com intensão no ombro direito faz nossa cabeça inclinar para o lado direito, levar os ombros pra traz indica que nossa cabeça deve ir também. A direção que o ombro for, é pra lá que suas pernas devem ir.  
A dama precisa estar com sentidos apurados, em alerta. Sentir é o mais importante. Esperar a decisão do cavalheiro para poder seguir, confiar.

28 de setembro de 2011

Samba de Gafieira - Parte I

História da Gafieira

Dança popular e gênero musical derivado de ritmos e melodias de raízes africanas, como o Lundu e o Batuque. A coreografia é acompanhada de música em compasso binário e ritmo sincopado. Tradicionalmente, é tocado por cordas (cavaquinho e vários tipos de violão) e variados instrumentos de percussão. Por influência das orquestras americanas em voga a partir da segunda guerra mundial, passaram a ser utilizados também instrumentos como trombones e trompetes, e, por influência do Choro, flauta e clarineta. Apesar de mais conhecido atualmente como expressão musical urbana carioca, o samba existe em todo o Brasil sob a forma de diversos ritmos e danças populares regionais que se originaram do Batuque. Manifesta-se especialmente no Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
Como gênero musical urbano, o Samba nasceu e desenvolveu-se no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Em sua origem uma forma de dança, acompanhada de pequenas frases melódicas e refrões de criação anônima, foi divulgado pelos negros que migraram da Bahia na segunda metade do século XIX e instalaram-se nos bairros cariocas da Saúde e da Gamboa. A dança incorporou outros gêneros cultivados na cidade, como Polca, Maxixe, Lundu, Xote etc., e originou o samba carioca urbano e carnavalesco. Surgiu nessa época o Partido Alto, expressão coloquial que designava alta qualidade e conhecimento especial, cultivado apenas por antigos conhecedores das formas antigas do samba.
Em 1917 foi gravado em disco o primeiro Samba, Pelo telefone, de autoria reivindicada por Donga (Ernesto dos Santos). A propriedade musical gerou brigas e disputas, pois habitualmente a composição se fazia por um processo coletivo e anônimo. Pelo telefone, por exemplo, teria sido criado numa roda de partido alto, da qual participavam também Mauro de Almeida, Sinhô e outros. A comercialização fez com que um samba passasse a pertencer a quem o registrasse primeiro. O novo ritmo firmou-se no mercado fonográfico e, a partir da inauguração do rádio em 1922, chegou às casas da classe média.
Os grandes compositores do período inicial foram Sinhô (José Barbosa da Silva), Caninha (José Luís Morais), Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana) e João da Baiana (João Machado Guedes). Variações surgiram no final da década de 1920 e começo da década de 1930: o Samba-Enredo, criado sobre um tema histórico ou outro previamente escolhido pelos dirigentes da escola para servir de enredo ao desfile no carnaval; o Samba-Choro, de maior complexidade melódica e harmônica, derivado do choro instrumental; e o Samba-Canção, de melodia elaborada, temática sentimental e andamento lento, que teve como primeiro grande sucesso Ai, ioiô, de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luís Peixoto, gravado em 1929 pela cantora Araci Cortes.
Também nessa fase nasceu o samba dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio e Osvaldo Cruz, e dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos, com inovações rítmicas que ainda perduram. Nessa transição, ligada ao surgimento das escolas de samba, destacaram-se os compositores Ismael Silva, Nilton Bastos, Cartola (Angenor de Oliveira) e Heitor dos Prazeres. Em 1933, este último lançou o samba Eu choro e o termo "breque" (do inglês break, então popularizado com referência ao freio instantâneo dos novos automóveis), que designava uma parada brusca durante a música para que o cantor fizesse uma intervenção falada. O Samba-de-Breque atingiu toda sua força cômica nas interpretações de Moreira da Silva, cantor ainda ativo na década de 1990, que imortalizou a figura maliciosa do sambista malandro.
O Samba-Canção, também conhecido como samba de meio do ano, conheceu o apogeu nas décadas de 1930 e 1940. Seus mais famosos compositores foram Noel Rosa, Ari Barroso, Lamartine Babo, Braguinha (João de Barro) e Ataulfo Alves. Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, gravada por Francisco Alves em 1939, foi o primeiro sucesso do gênero Samba-Exaltação, de melodia extensa e versos patrióticos.
A partir de meados da década de 1940 e ao longo da década de 1950, o samba sofreu nova influência de ritmos latinos e americanos: surgiu o Samba de Gafieira, mais propriamente uma forma de tocar -- geralmente instrumental, influenciada pelas orquestras americanas, adequada para danças aos pares praticadas em salões públicos, gafieiras e cabarés -- do que um novo gênero. Em meados da década de 1950, os músicos dessas orquestras profissionais incorporaram elementos da música americana e criaram o Sambalanço. O partido alto ressurgiu entre os compositores das escolas de samba dos morros cariocas, já não mais ligado à dança, mas sob a forma de improvisações cantadas feitas individualmente, alternadas com estribilhos conhecidos cantados pela assistência. Destacaram-se os compositores João de Barro, Dorival Caymmi, Lúcio Alves, Ataulfo Alves, Herivelto Martins, Wilson Batista e Geraldo Pereira.
Com a Bossa Nova, que surgiu no final da década de 1950, o samba afastou-se ainda mais de suas raízes populares. A influência do Jazz aprofundou-se e foram incorporadas técnicas musicais eruditas. O movimento, que nasceu na zona sul do Rio de Janeiro, modificou a acentuação rítmica original e inaugurou um estilo diferente de cantar, intimista e suave. A partir de um festival no Carnegie Hall de Nova York, em 1962, a bossa nova alcançou sucesso mundial. O retorno à batida tradicional do samba ocorreu no final da década de 1960 e ao longo da década de 1970 e foi brilhantemente defendido por Chico Buarque de Holanda, Billy Blanco e Paulinho da Viola e pelos veteranos Zé Kéti, Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Martinho da Vila.
Na década de 1980, o Samba consolidou sua posição no mercado fonográfico e compositores urbanos da nova geração ousaram novas combinações, como o paulista Itamar Assunção, que incorporou a batida do Samba ao Funk e ao Reggae em seu trabalho de cunho experimental. O Pagode, que apresenta características do Choro e um andamento de fácil execução para os dançarinos, encheu os salões e tornou-se um fenômeno comercial na década de 1990.

11 de julho de 2011

Festival Ensaio Aberto


O PROJETO 
     O Projeto Ensaio Aberto surgiu como um espaço de articulação entre grupos de arte e em prol da melhoria das condições de jovens da Região da Baixada Maranhense, aonde se concentram baixos índices de desenvolvimento humano, buscando com que os municípios envolvidos expandissem seu universo cultural e pudessem contribuir para o desenvolvimento de suas cidades. Com patrocínio do Programa BNB de Cultura- Edição 2010- Parceria BNDES, essas atividades pontuais se fortaleceram e se expandiram, passando a atuar também na Região do Vale do Pindaré e Semi-Árido Maranhense.
     Durante o período de 6 (seis) meses, o diálogo entre identidade e diversidade, indivíduo e coletividade, revelou-se como uma ferramenta necessária para garantir tanto a cidadania artística, como a sobrevivência da diversidade da cultura nesses municípios. Esses diálogos garantiram a realização de Seminários Intermunicipais de Arte e Culturas, Circuitos de Teatro de Bolso, além da participação de profissionais de São Luís (capital do Estado) a partir de diversas parcerias firmadas com as prefeituras e secretarias de cada município.
     Através de intercâmbios sistemáticos houve um diálogo mais sólido entre as cias e grupos do projeto e os seus produtores culturais, as instituições públicas e privadas e com a sociedade local, suas comunidades, escolas e movimentos sociais, oferecendo um diálogo entre as diferentes vertentes artísticas existentes nessas regiões, utilizando para isso o suporte coletivo, educativo, social e artístico, focando para um espaço de produção e de intercâmbio de ações interligadas.
     Entre os municípios envolvidos estão: Arari, Matinha, Penalva, Olinda Nova do Maranhão, São João Batista, São Vicente Férrer, São Bento, Palmeirândia e Santa Inês. Mais recentemente, passaram a integrar esta rede de trabalho, os municípios de Pindaré e Belágua.
     O Festival Ensaio Aberto – 1ª Edição é um trabalho que contemplará a população de Arari-MA e regiões no acesso a oficinas artísticas seguidas de debates que forneçam dados e referenciais positivos à população arariense, pode ser também um instrumento pedagógico para o (re) conhecimento e formação de uma identidade cultural que possa permitir a inclusão social da população, a diversificação e ampliação das opções de formação de cultura para o desenvolvimento sustentável e/ou fonte de renda temporária e permanente para os municípios.
     A proposta é a criação de um Festival de Teatro e Dança que se agregue ao calendário cultural como uma prática permanente e de formação de platéias para a produção local e regional, através de pressupostos educacionais, aliando os valores da arte à educação e à cidadania, objetivando estimular a busca por novas linguagens e técnicas artísticas e o reconhecimento e valorização da produção artística e cultural dos grupos de teatro e dança da região da Baixada Maranhense, Semi-Árido e Vale do Pindaré, além de outras produções do Estado. 

11 de maio de 2011

10 de maio de 2011.

Li os meus versos pra Roxa e ela me explicou que eles precisam ser rimados... Então tenho três pra refazer.

Um deles ela já me ajudou:

Minha divina santa croa brilha
Igual as estrelas do céu
Ajuda suas caixeiras
Coberta com vosso véu

Refiz um verso e o outro ainda não encontrei inspiração

Ofereço uma flor
Que tirei da laranjeira
Pra enfeitar seu altar
Divina santa padroeira

Compus mais dois:

A chuva que cai lá fora
É divina é gostosa
Leva todas as tristezas
Lave a alma e vá embora

-
Anjos que estão no céu
Abençoe esse amor
Meu amor também é anjo
Me protege onde vou

9 de maio de 2011

08 de maio de 2011.

Noite de inspirações! 
Após passar um final de semana inteiro em contato direto com a natureza, criei alguns versos durante a minha volta de Bacabal para São Luís. Vou cantá-los durante minhas aulas de caixa do Divino Espírito Santo, se a Roxa permitir.
Alguns não são rimados, mas encaixam na melodia dos toques.

Quero pedir a santa croa
E ao Divino Espírito Santo
Que nos guarde e nos proteja
Abençoando o nosso amor
-
Brilha estrela divina
Nesse céu que vejo agora
Todas as caixeiras cantam
Em louvor a Nossa Senhora
-
Nunca vi um céu mais lindo
Que o céu do interior
Todas as estrelas brilham
Brilham com o meu louvor
-
Oh meu Divino Espírito Santo
Criador do céu e da terra
Agradeço por estar aqui
Contemplando estrelas tão belas
-
Meu Divino Espírito Santo
Peço a sua proteção
A todas essas caixeiras
Que cantam em louvação
-
Em tudo que vejo agora
Encontro inspiração
Para compor os meus versos
Simples mas de coração
-
Minha santa croa brilha
Igual as estrelas do céu
Ilumina minha alma
E a todas vocês 
-
Sei que estas me ouvindo agora
Divino consolador
Somos as suas caixeiras
Nos abençoe onde for
-
Ofereço uma flor
Que tirei da laranjeira
A nossa santa croa
Pro seu altar ficar florido
-
Peço a sua permissão
Para compor esses versos
Em homenagem ao Divino
Com toda minha humildade

*Os versos em negrito estão refeitos no próximo post.



13 de fevereiro de 2011

11 de fevereiro de 2009.

Escritos durante o processo criativo do espetáculo Piaf: Accord À Corp's:

Um dos desafios do ator-bailarino é ter que representar/sentir momentos da vida, personalidade, relacionamentos, que na vida pessoal não se viveu. No caso da infância de Edith Piaf, foi difícil, tanto a escolha da foto, quanto a criação da partitura, já que ela não teve uma vida normal de criança.
Desde que nasci, meus pais nunca nos deixou sozinhos. Se eles saiam a noite, íamos; nos levavam a praia, ao supermercado, mamãe lavava roupa comigo no carrinho de bebê. Tanto que não teve outra pessoa que cuidou de mim a não ser meus pais.
O único momento, por necessidade, que fiquei sob os cuidados de minha avó paterna, foi quando eu tinha um ano e quatro meses. Eu não lembro dessa época, só sei porque me contaram. Passei três meses em Bacabal, na casa da vovó Socorro, antes morávamos em Caldas Novas e papai resolveu voltar para o Maranhão porque ficou sabendo que estavam ameaçando matar o vovô de Paula por causa de dívidas do meu tio. Nisso surgiu um concurso para a Telemar em São Luís e papai estava desempregado e não podia perder essa oportunidade, mas ia ficar na casa de uma tia minha e se fôssemos nós quatro, teríamos muita despesa. Então decidiram me deixar nas mãos da vovó.
A foto tirada nessa época, quando a vi, lembrei dos olhos tristes de Edith, o vazio, a falta de um amor verdadeiro, que só vem dos pais.
E temos até uma coisa em comum, fomos criadas em um momento da vida por nossas avós paternas. Ela foi por um longo tempo e o relacionamento entre elas era distante, sem carinho. Já o meu, minha avó até propôs a meus pais de me criar, não queria que eu fosse embora. E uma história que a mamãe me contou foi que quando ela veio me buscar, não a reconheci, demorou um pouco pra eu lembrar quem era ela. Muitos anos depois, quando morei novamente com a vovó, já adolescente, ela desabafou dizendo que sempre fui uma ingrata porque ela cuidou de mim quando criança e depois que meus pais   me levaram, quando a revi nem olhei para ela.
É uma mágoa que  ela carrega até hoje e talvez por isso, nosso relacionamento seja muito difícil.

12 de fevereiro de 2011

08 de fevereiro de 2009.

Escritos durante o processo criativo do espetáculo Piaf: Accord À Corp's:

Passei o final de semana angustiada por não ter nenhuma movimentação para segunda-feira. Enquanto estava na praia, liguei para desabafar com Leônidas, que me aconselhou molhar os pés no mar e dar um grito. O grito não dei, mas abri os braços, pedi a Deus inspiração e entrei no mar.
A noite surgiu a ideia de andar pela casa com uma venda nos olhos. Escovei os dentes, bebi água, peguei o diário dentro da guarda-roupa, passeei pela sala. A sensação de não enxergar é horrível, a vontade que dava era de tirar logo a venda e voltar a ver. Os passos eram rápidos e angustiantes, com desejo de chegar rapidamente ao destino, pensamentos de assombrações me vieram a mente, parecia que tinham várias chegando perto de mim, o medo tomou conta e fiz tudo ligeiro.
Dormirei de olhos vendados e amanhã continuarei a vivência.

06 de fevereiro de 2009.

Escritos durante o processo criativo do espetáculo Piaf: Accord À Corp's:

O Primeiro Encontro

Minha vida volta a ter sentido quando danço. Até hoje só consegui me entrar de corpo e alma para a dança, sei que ela estará comigo, desde que haja entrega, verdade e disciplina. 
É satisfatório trabalhar com pessoas queridas e que tenho um enorme respeito e admiração. Rever Geraldine, Rosa, Marina e Aline renovou minhas energias e fiquei feliz por estar entre pessoas que valorizam a arte e a levam a sério. Cada uma tem características peculiares e temos muito o que ensinar e aprender umas com as outras.
Gostou muito da preparação física, foi intensa e já caminha pra um ritmo forte e pesado. Pude experimentar um pouco, a sensação que será dançar de olhos vendados, foi interessante e me instigou a vivenciar outras possibilidades de dançar, sem ser a convencional. Pareceu que passamos horas nos exercitando, mas foram apenas duas horas, a atmosfera estava tão boa que nem vi o tempo passar, não me senti tão cansada e queria poder ficar mais.

Fevereiro de 2009 - Piaf: Accord À Corp's

Coisas que me chamaram atenção no filme:

- Canta com a cabeça inclinada;
- "Ela é sensacional";
- "A senhorita realmente me encantou";
- Baile de máscaras - ano novo;
- "Eu te assisti várias vezes ... Estava bem escondido então!";
- Sarcástica;
- "Você é uma grande artista";
- Carinho por padrinho;
- Mãos atrofiadas - tricô;
- "Você é um pássaro de mal agoro";
- Flashes;
- Morte do seu padrinho;
- Simone presa;
- Decadência;
- Volta para o cabaré;
- Histérica/caprichosa;
- Acidente de carro;
- Ursinho de pelúcia na cama do hospital;
- Dificuldade em articular as palavras;
- Pássaro na gaiola;
- Indisciplinada;
- Ensaios rígidos;
- Frufru frufru;
- "O palco é um todo. Tem que conquistá-lo com tudo que tem";
- "Tem mãos maravilhosas, cante com elas";
- Pânico na estreia;
- Presença de palco incrível;
- Reconhecimento do público;
- "Bravo!";
- "Cantora de rua vira uma estrela";
- Luxo;
- "Eu não posso fazer isso? Então de que adianta ser Edith Piaf?";
- "Sou triste para eles e infeliz para mim";
- Olhar crítico;
- Sinceridade;
- "Quando você convida, você não esbanja muito?";
- "Nas horas vagas faço tricô";
- "Você tem mãos magníficas";
- Luzes de Nova York;

3° e 4° páginas...

Fevereiro de 2009 - Piaf: Accord À Corp's

Coisas que me chamaram atenção no filme:

- Redescobrir a luz;
- Titini a ouvia cantar;
- "O que trouxe da América? ... Um americano";
- Corrente com crucifixo;
- Margareth;
- Vivia enferma desde a infância;
- "Um brinde aos que esperam a minha ruína";
- Drogas e bebidas;
- "Não está aqui para ver o espetáculo. Não é uma criança";
- Circo;
- Introspecção - solidão;
- "Quando estiver sozinha, estarei sempre com você";
- Fogo;
- Mãos sujas;
- Oração;
- Vida na rua - pai;
- Desejo por uma boneca;
- Cantou nas ruas como a mãe;
- Suco de cenoura;
- "Se estou mal é porque abusei muito";
- Corre com braços dobrados;
- Cantar nas esquinas;
- Vida na rua - Simone, cinco anos de amizade;
- Desprezo pela mãe;
- "Prefiro morrer a me prostituir";
- "Ela é realmente incrível";
- Olhos arregalados/inseguros;
- "Você parece um pardal" Môme Piaf;
- Tensão nas mãos;
- Pinóquio pendurado na parede;
- "Um diamante bruto, das ruas para a casa de shows";

2° página...

Fevereiro de 2009 - Piaf: Accord À Corp's

Encontrei escritos do processo criativo do espetáculo Piaf: Accord À Corp's.
Coisas que me chamaram atenção no filme, que por curiosidade ganhei no amigo invisível do ano passado:

- Estrutura corporal;
- Lábios vermelhos;
- Foco de luz;
- Roupas pretas;
- Olhar vazio;
- Vida na rua - mãe;
- Som de caixinha de música;
- "Preciso ganhar a vida, sou uma cantora";
- Falta de higiene;
- Abandono;
- Saúde frágil;
- "Você tem lindos olhos azuis";
- Pouca iluminação;
- "As pessoas vão comentar... As pessoas sempre falam das outras";
- Infância no cabaré;
- Carinho das prostitutas;
- Falta de cor na infância, roupas e aparência;
- Abajur de boneca;
- Rosto de palhaço;
- Principais cores das roupas: preto, vermelho, branco;
- Corcunda;
- Ouvia a mãe cantar;
- Cantava enrugando a testa;
- Mãos na cintura ao cantar;
- Cegueira temporária - queratite;
- "Ela é filha de quem? ... De ninguém";
- Venda nos olhos;
- Outono;
- Santa Terezinha;
- Tato na cegueira;
- Galhos secos;

1° página...

20 de dezembro de 2010

18 de dezembro de 2010.



 O Tempo Sobre Mim. Quatro instalações dentro de um mundo de informações. Cinco mulheres nuas.  O tempo passa e nossos corpos são modificados. A minha proposta era de total imobilidade, mas a quantidade de soro não daria o efeito desejado e tive que movimentar minha cabeça em alguns momentos. Fui surpreendida pelo público, não imaginei que eles iriam interagir comigo. Mudaram a posição dos fios soltos, colocaram tinta no meu rosto, mexeram no regulador do soro e misturam as cores do meu corpo com a mão. Esperei alguém mudar minha posição, mas não aconteceu. Descobri, depois dessas experimentações, que adoro trabalhar com o público dentro da cena, eles conhecem nossas limitações e nós o que eles podem nos oferecer como resposta a partir de uma sugestão. Me expus e estava sujeita a tudo! Minha fonte de inspiração foi a tela La Coiffeur de Henri Matisse, fiz uma busca no Google com a palavra tela viva e apareceu essa tela, dentre outras. Comecei a observá-la e pra mim essa mulher sai da tela. Pesquisei sobre o autor da obra e ele fazia parte do Movimento Fauvista, onde as cores primárias eram predominantes e exaltadas, assim como a espontaneidade, liberdade e a arte institiva. Conversei bastante com Leônidas, meu diretor, e o resultado final foi esse:


Fui surpreendida pelo público quando ele interferiu na minha instalação. Pensei estar segura no meu espaço, mas o invadiram e as intervenções se iniciaram. Havia pensado apenas na apreciação das cores caindo no meu corpo, mas de repente as pessoas alteravam o fluxo dos pingos no tubo do soro, elas escolhiam o lugar onde a tinta ia cair, na orelha, rosto, braços. Pingos descontrolados nas minhas costas, uma cor gelada na orelha, no rosto. Dedos que misturavam as cores, mãos deslizando pelo meu corpo. Já quase no final alguém tocou no meu braço e depois misturaram todas as cores das minhas costas com as mãos. Quando sentei naquele banco com a tela branca, não tinha noção do que estava por vir. A primeira gota vermelha na tela escorrendo me fez sentir uma vontade imensa de chorar. Era só o que queria... Sentir o público me observando e não reconhecer ninguém, não poder olhar para as minhas colegas de trabalho, eu estava lá sozinha, eu, a tela e as tintas. Todos os meus sentidos estavam bastante aguçados, o isolamento me causou isso. Não podia olhar pra trás, mas podia sentir, o que é muito melhor. Uma poça colorida se formou no meu colo, uma mistura de cores belíssima! A tela estava cheia de pingos vermelhos e do nada o azul apareceu por lá. A todo instante uma nova surpresa. Depois o amarelo, o toque no meu corpo. Pura intensidade!

19 de dezembro de 2010

11 de dezembro de 2010.


Início da experimentação.
Outros Ares. Experimentação na praça Gonçalves Dias, éramos pra ir de traje social e salto alto, mais uma vez não sabíamos o que seria feito lá. Participaram dessa experimentação: eu, Rosa Ewerton, Cleyce Colins, Thatielle Abreu, Marinildes Brito, Luis Ferreira e Valeria Mendonça. Chegamos no final da tarde, o pôr-do-sol estava belíssimo e a praça habitada por casais, crianças, skatistas, formandos. As instruções foram coladas em uma palmeira no centro da praça. O desconhecido é o maior desafio, permitir se deixar levar pelos acontecimentos, viver o agora e encontrar resoluções para os imprevistos, tudo isso foi vivido intensamente por mim. Brincar com minha sombra na grama foi muito agradável, apesar do incômodo de estar com salto alto, deu pra aproveitar bastante. Duas pessoas que nos assistiam lá no alto fizeram sombra onde eu estava e interagi com suas sombras, até que estas perceberam e fugiram de mim. Gostaria de ter passado mais tempo lá. O estranhamento do público iniciou quando cada intérprete se locomovia pela praça com um passo simples de tango, a receptividade deles foi positiva. E mesmo sendo intérpretes, Leônidas pediu que não houvesse representação, que fôssemos naturais. Ele nos deu estímulos sonoros vindos do som de um carro , músicas lindas, se encaixaram perfeitamente nas movimentações. Conversei com uma criança para depois dançar a nossa conversa, o mais bonito de tudo foi que ela imitou todos os movimentos que fiz junto com suas amiguinhas. Quando foi se despedir de mim não tive como ignorar essa criança linda! Um dos meus saltos descolou na hora do contato improvisação, lembrei que mais tarde iríamos correr pela praça, então forcei o outro salto e quebrei. Ainda não me sinto a vontade no contato improvisação, talvez por falta de um pouco mais de pesquisa. A improvisação em dupla no banco com Thatielle foi livre, espontânea e gostosa de fazer, nossos movimentos fluiam sem nenhum bloqueio, conversávamos pelo olhar. O momento mais bonito aconteceu no centro da praça, ao redor da estátua de Gonçalves Dias, com uma música instigante onde todos os intérpretes dançaram livres. A iluminação da praça ajudou muito, ficou maravilhosa. As crianças foram nossos melhores espectadores, estavam o tempo inteiro interagindo, observando, comentando. Os skatistas também estavam abertos a apreciar uma linguagem que eles não conheciam, na verdade, todos ali presentes. Nos despedimos ao som de Bésame Mucho beijando nossos corpos, lindo!

14 de dezembro de 2010

10 de dezembro de 2010.



Sinal. Leônidas convidou todos os integrantes do Núcleo Atmosfera a comparecer no semáforo do
"Pare"
Terminal de Integração da Praia Grande em São Luís do Maranhão para uma experimentação performática em paisagem urbana, todos deveriam ir de calça e tênis e as meninas de cabelos amarrados, nada mais foi dito. Sou muito curiosa e esse mistério gerou
grande ansiedade em mim. Participaram dessa experimentação seis integrantes: eu, Rosa Ewerton, Cleyce Colins, Timóteo Cortes, Alex Liberato, Luís Ferreira. Quando Leônidas sentou para nos dar as orientações, eu era pura adrenalina! A primeira pergunta feita por ele foi: "O que vocês estão sentindo nesse momento?". Eu respondi ansiedade e adrenalina. A maioria estava ansioso. Ele abriu um envelope amarelo e dentro dele haviam dois blocos com dez palavras impressas. Primeiro entregou a cada integrante uma palavra para colar no semáforo do pedestre, depois isso foi feito em dupla do outro lado da pista. A curiosidade era tanto dos integrantes como de quem passava por lá e viam as palavras coladas, a nossa presença já causava estranhamento. Depois de Leônidas explicar cada palavra colada, iniciamos. "Pare". Esse foi o momento mais tenso pra mim, ficar parada na faixa de pedestres com todos nos observando, meu coração batia a mil por hora e minha respiração estava ofegante. Uma imagem marcante nesse momento foram as pessoas dentro do ônibus se levantando para ver o que estava acontecendo. "Círculos com o corpo" Me senti insegura por não sabe era pra fazer no lugar ou em deslocamento, ainda estava com o corpo tímido. Com o decorrer das indicações, meu corpo começou a se acostumar com a novo espaço cênico e foi tudo muito prazeroso e intenso. Eram apenas 25 segundos de sinal fechado, tentei aproveitar ao máximo cada segundo e a espera para o sinal abrir novamente parecia eterna!
"Corra e abrace"
A gente não podia se comunicar, somente o necessário. É desafiador estar do lado de alguém que conhecemos sem poder comentar nada do que estávamos fazendo e também manter a concentração num espaço aberto. Escutei uma senhora dizendo: "Se tivessem o que fazer, não estavam fazendo isso." Teve também um senhor muito simpático que nos aplaudiu enquanto executávamos os movimentos. Nossa plateia interagiu bastante conosco, alguns nos imitaram, outros gritaram junto, se assustaram, correram, tiraram fotos, após atravessarem o sinal, continuaram a nos assistir.
Disse a Leônidas que nunca mais vou atravessar uma faixa de pedestres com o mesmo olhar, foi uma vivência que com certeza me trouxe muito crescimento pessoal e artístico. Nós, de cara limpa, cara a cara com o público, abertos a qualquer tipo de imprevisto, sem medo de ser surpreendido e de se expor.

5 de novembro de 2010

4 de novembro de 2010.

Mais um ensaio sem o diretor, Leônidas Portella está no Rio de Janeiro fazendo oficina no Panorama Festival 2010. Só nos encontraremos em Rio Branco. Eu, como assistente de direção do espetáculo As Cores de Frida, tomei a frente dos ensaios. Fiz um planejamento de preparação corporal baseado nas movimentações de cada cena do espetáculo, incluindo as músicas. Foram nove momentos:

1. Todos deitados no chão, pernas flexionadas, respiração lenta, profunda e pelo diafragma. Inspiração e expiração nasal. Inspiração profunda e expiração forte e fragmentada. Movimento de ponte, inspirar na subida e expirar desenrolando a coluna, mantendo o controle da respiração; inspiração e expiração rápida com movimento de ponte. Contração lateral (posição fetal) com alongamento das extremidades e alongamento de braços e pernas com o ventre no chão. Abdominal com elevação de tronco circular.

2. Princípio de queda e recuperação voltado para as quedas nas cadeiras da cena amarela. Música do acidente. Experimentar novas formas de levantar e cair, inicialmente lento, consciente de cada parte do corpo, observando quais as articulações são utilizadas. Com a repetição há transformação do corpo e da intenção. Pedi que eles fossem ao encontro desse acidente e se locomovessem pelo espaço ainda com queda.

3. Formar um círculo olhando pra nuca de quem estiver na frente e depois trocar o sentido. O exercício era simplesmente andar e perceber o espaço sem olhar pro chão, encontrar uma unidade nos passos. Todos de frente pro círculo deslocando-se nos dois sentidos com uma movimentação de pernas da partitura do pincel na cena amarela. Voltar a olhar pra nuca e iniciar uma corrida, ainda em círculo. Desfazer o círculo formando uma fila onde o primeiro guiava correndo o restante do grupo pela sala até eu pedir que cada um escolhesse um lugar na sala para fazer ora dois mergulhos de frente ora dois mergulhos inversos. Ao finalizar os mergulhos, o último da fila ia pra frente e começava tudo novamente até chegar a primeira pessoa que começou. As corridas tinham que ser silenciosas. Escolher um lugar na sala e apenas respirar, lembrando a respiração inicial do espetáculo.

4. Experimentação com lenços da partitura da cena amarela. Cada um fez no seu tempo, até conseguirem encontrar harmonia. Haviam três lenços leves que foram experimentados por todos. Roda de risos, o elenco ficou deitado com o queixo nas mãos e tinham que sorrir durante um tempo.

5. Movimentação de pernas, com dois tipos de agachamento.

6. Revolução. Cada dupla ficou em uma extremidade do quadrado da sala de dança. As duplas tinham que se olhar, chamar por Diego, correr até o centro da sala, se abraçar e ir pro outro lado da fila. Tinha apenas uma cadeira do espetáculo, a cena da revolução foi repetida até todas experimentarem sua partitura na cadeira.

8. Cena verde. A música inicia e eu peço que todos procurem sua escuridão, pra onde estão indo, que lugar é esse, quais os seus medos e tormentos. A luz foi desligada e o elenco continuou nessa busca. Na repetição da música teve sustentação do peso do corpo com flexão e movimentação dos braços quando o pincel passa.

9. Cena vermelha. Todos dançaram separados, eu escolhia um nome e quando este terminasse sua coreografia tinha que dizer "abraça" e todos teriam que encontrar seu par e fazer a movimentação de pulo com giro.

10. Movimentação com quase queda e recuperação e movimento da pomba da cena negra. Primeira parte da música, movimentação inicial da cena negra, na segunda parte foram feitos apenas os movimentos de corrida, quebrando o quadrado que se formou na caminhada, e na terceira parte apenas a movimentação de tronco e braços da pomba.

Lembrando que o elenco inteiro participou de todas as etapas.

31 de outubro de 2010

28 de outubro de 2010.

Pontuar e cortar. Andar e escolher um lugar no espaço. Olhar para cinco pontos na sala. A cada toque de caixa, ir para o lugar escolhido e pontuar, uma ação direta e objetiva, sem pensar. O importante é o início e o final. Depois o pontuar aconteceu no meio do caminho e a batida da caixa ficou cada vez mais veloz. Com a velocidade das batidas, meus movimentos ficaram confusos e irracionais. Pausa. Formação de duplas, fiz com Valda, minha amiga íntima. Ela é a única pessoa que consegue tirar minha concentração nos exercícios, foi muito difícil dar continuidade à experimentação. A proposta de Leônidas era de cada um pontuar oito partes do corpo do outro, memorizar e a cada toque, ter uma reação diferente. Eu recebi toques no pescoço, joelho direito, pé esquerdo, cotovelo esquerdo, pulso esquerdo, cintura direita, queixo e bochecha. Uma fila foi formada e tivemos que mostrar cada ponto sem ser tocado. Depois foi a minha vez de pontuar Valda, toquei no ombro direito, ilíaco esquerdo, joelho direito, calcanhar esquerdo, nádega esquerda, dedo indicador direito e umbigo. Algumas formas ficaram engraçadas. Pontuar no cotidiano. Fiz apenas um gesto simples de cumprimentar com a mão. As duplas voltaram a se reunir para juntar seus gestos. A minha partitura com Valda foi a menor de todas! Uma palhaçada! Ainda experimentamos o princípio de cortar. Braços, pernas, quadril, tronco, TUDO. 

28 de outubro de 2010

27 de outubro de 2010.

Evocar. É meu primeiro post sobre as aulas de toque de caixa, depois de quase dois meses de aula. Ontem foi um dia mágico, místico. Nós já tínhamos feito aula do lado de fora do Laborarte, mas ontem foi diferente. Me senti muito envolvida com os toques e começo a ter meus cânticos prediletos, "Lá no céu tem sete estrelas", os que falam da Santa Croa "Apareça Santa Croa Apareça... Agora que eu vou salvar", essa em especial senti muita fé no meu canto e uma paz interior. É sempre uma evocação ao Divino, ao ser supremo. Devemos ter muito respeito e fé. Não queria parar de tocar e cantar. Fica cada vez mais evidente como a roda está presente em tudo que participo. As aulas de toque também são feitas em roda, nos olhamos , nos sentimos, nos comunicamos. Aquelas mulheres negras com uma presença de espírito incrível! Todas lindas e fortes, parece que nada as atinge. Seus cabelos entrançados e saias coloridas e rodadas combinam com seu tom de pele. Também é a primeira vez que assisto o ensaio do cacuriá até o final. Sentei perto das caixeiras pra aprender os toques do cacuriá, ele tem uma matriz e muitas variações. Cantar e tocar então, a maior dificuldade de todas! Alguns toques do Divino são mais lentos e dá pra cantar e tocar, mas no cacuriá, as batidas são rápidas demais. O que mais me chamou atenção foi a alegria dos brincantes, a vibração das vozes na resposta do coro e também a vibração dos corpos. É possível observar que quando temos uma música predileta, o nosso corpo responde com maior empolgação e liberdade. Os desenhos coreográficos são lindos, filas que fazem diagonais em sentidos diferentes, formação de blocos, uma fila com todos, rodas, duas filas nas laterais com casais no centro, tem vários momentos onde todos são um só, muito movimento de braço, pernas, quadril, tronco, giros. Eles surgem a partir do movimento de base, os pés, que estão em constante movimento circular. A relação entre os corpos femininos com os masculinos, pessoas que não se conhecem e no entanto tem uma relação tão íntima com o corpo do outro, vi respeito na maioria das pessoas. Apesar dos pares serem fixos, há interação entre todos, às vezes trocam de par por um momento e depois retornam. Pra dançar cacuriá é preciso liberdade, é uma dança muito sensual, é preciso interagir com o parceiro, através de olhares e toque corporal, qualquer inibição trava o movimento. Tive vontade de colocar minha caixa de lado e partir pra dança!!!!!! Na próxima aula, quem sabe...

23 de outubro de 2010

21 de outubro de 2010.

Expurgar. Nesse ensaio todas as minhas energias transbordaram pelos poros! Pra começar, uma massagem deliciosa que Cleyce fez em mim, foi a que eu mais fiquei quietinha, não sou uma boa receptora de massagem, minha cabeça está sempre a mil por hora. A sensação mais gostosa que tive foi a energização com as mãos quentes nas minhas articulações. Depois de quase uma hora de massagem entre as duplas, ficamos 5 minutos oxigenando o corpo correndo em círculo, com o mesmo passo, olhando pra nuca, e com algumas variações. Apesar do pouco tempo, senti que a qualidade dos meus movimentos caíram, já não tinha o mesmo vigor e o esforço era maior, com respiração ofegante. A sensação do sangue pulsando pelo corpo inteiro é deliciosa! Estava pronta pra entrar em cena! Foi mantido o círculo e iniciamos uma atividade onde duas pessoas ficavam no centro da roda, com as mãos pra trás e de olhos fechados. O objetivo era tirar o outro da roda. A força masculina ainda prevalece nesses momentos, mas as mulheres deram muito trabalho e resistiram bravamente durante o exercício. Sempre que ia um homem e uma mulher - na verdade não foi homem com homem nenhuma vez,  a torcida era pra que a mulher conseguisse tirá-los da roda. Estava com muita sede de ir com um homem e minha primeira dupla foi com Luís. Imaginei que não fosse conseguir, então pelo menos quis intimidar o "adversário" com uma postura confiante. Coloquei os braços pra trás, vi a posição dele e fechei os olhos, não demorei muito para avançar em direção a ele e o tirei não com força, mas com desvio. Ele veio muito rápido pra cima de mim e apenas tirei meu corpo e ele passou correndo. Houve muita vibração! Mas nenhuma mulher quis ir comigo... Então o Gilberto veio pra acabar com a minha alegria, mas quero revanche porque ele atingiu seu ombro (eu imagino) no meu nariz e a dor foi imensa! Todas as mulheres do Atmosfera não entregam o jogo, somos guerreiras e determinadas! Pena que só foi uma vez mulher com mulher, seria páreo duro!!! Depois formamos duas filas nas diagonais da sala de dança e a proposta era ir correndo ao encontro do outro, chegar no meio da sala, saltar, gritar junto com o companheiro e ir para o final da outra fila. A continuação foi corrida e comunicação visual, um fazia rolamento enquanto o outro pulava por cima,  com velocidade rápida. Do meio pro final ficou mais difícil por causa do cansaço. Mais um momento de pausa. Parecia que pelos meus poros saiam fogo. Olhos fechados, respiração consciente. Inversão. Respirar contraindo o abdômen e expirar relaxando. A repetição transforma  intenções e gestos. A intensidade me trouxe o desequilíbrio do corpo, depois o deslocamento. A sensação do corpo consciente e relaxado me fez quase despencar no chão e iniciar princípio de queda e recuperação. Cada um com os mesmo estímulos e tão singulares, minha paixão maior pela dança é admirar essa diversidade de corpos e suas possibilidades dentro de uma mesma proposta. O Atmosfera me faz sentir isso claramente. Mais um estímulo nos foi passado, jogar flechas com nosso corpo, utilizando partes esquecidas por nós. Assim como o silêncio é muito importante para poder ouvir os nossos próprios sons, a música exerce uma influência de libertação dos movimentos - pelo menos dos meus. Comecei devagar, pensando em cada músculo, nas articulações, mas em um determinado momento, os movimentos saíram inconscientes, e as flechas foram disparadas com muita força e principalmente pelas extremidades do corpo. Foi um desabafo, uma liberação de energias, de todos os tipos. Tive vontade de gritar, mas principalmente de dançar, de estar em cena. Trabalhar com o lúdico ajuda muito na consciência corporal, brincar é se tornar livre, de julgamentos, impressões, preconceitos. Agora um bambolê estava no nosso corpo e não poderíamos deixá-lo cair.  Se sentíssemos necessidade, a flecha poderia ser usada. Tenho uma grande identificação com movimentos sinuosos e circulares, foi prazeroso brincar com o bambolê e explorar meu corpo. Nos dois momentos senti muita tontura e fadiga, diminuia  a intensidade dos movimentos e depois retomava. A diferença entre eles na minha imaginação era que as flechas eram sempre retilíneas e cortadas e o bambolê, movimento infinito. Criamos o hábito de sempre conversar após as experimentações, o que é de extrema importância para o crescimento artístico de cada um. Ouvir e dizer nossas impressões logo após a atividade   é um exercício que nos permite conhecer a si, através do olhar do outro e o outro a partir das várias observações. Parabéns ao Gilberto pela experimentação!