Evocar. É meu primeiro post sobre as aulas de toque de caixa, depois de quase dois meses de aula. Ontem foi um dia mágico, místico. Nós já tínhamos feito aula do lado de fora do Laborarte, mas ontem foi diferente. Me senti muito envolvida com os toques e começo a ter meus cânticos prediletos, "Lá no céu tem sete estrelas", os que falam da Santa Croa "Apareça Santa Croa Apareça... Agora que eu vou salvar", essa em especial senti muita fé no meu canto e uma paz interior. É sempre uma evocação ao Divino, ao ser supremo. Devemos ter muito respeito e fé. Não queria parar de tocar e cantar. Fica cada vez mais evidente como a roda está presente em tudo que participo. As aulas de toque também são feitas em roda, nos olhamos , nos sentimos, nos comunicamos. Aquelas mulheres negras com uma presença de espírito incrível! Todas lindas e fortes, parece que nada as atinge. Seus cabelos entrançados e saias coloridas e rodadas combinam com seu tom de pele. Também é a primeira vez que assisto o ensaio do cacuriá até o final. Sentei perto das caixeiras pra aprender os toques do cacuriá, ele tem uma matriz e muitas variações. Cantar e tocar então, a maior dificuldade de todas! Alguns toques do Divino são mais lentos e dá pra cantar e tocar, mas no cacuriá, as batidas são rápidas demais. O que mais me chamou atenção foi a alegria dos brincantes, a vibração das vozes na resposta do coro e também a vibração dos corpos. É possível observar que quando temos uma música predileta, o nosso corpo responde com maior empolgação e liberdade. Os desenhos coreográficos são lindos, filas que fazem diagonais em sentidos diferentes, formação de blocos, uma fila com todos, rodas, duas filas nas laterais com casais no centro, tem vários momentos onde todos são um só, muito movimento de braço, pernas, quadril, tronco, giros. Eles surgem a partir do movimento de base, os pés, que estão em constante movimento circular. A relação entre os corpos femininos com os masculinos, pessoas que não se conhecem e no entanto tem uma relação tão íntima com o corpo do outro, vi respeito na maioria das pessoas. Apesar dos pares serem fixos, há interação entre todos, às vezes trocam de par por um momento e depois retornam. Pra dançar cacuriá é preciso liberdade, é uma dança muito sensual, é preciso interagir com o parceiro, através de olhares e toque corporal, qualquer inibição trava o movimento. Tive vontade de colocar minha caixa de lado e partir pra dança!!!!!! Na próxima aula, quem sabe...
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