Pontuar. Mais um princípio Labaniano que Léo está passando pra gente. Andar com congelamentos. Dar ênfase a uma parte do corpo ou o foco em várias áreas. Vivo numa constante busca de superação aos desafios que proponho ao meu corpo, não gosto de facilitar as coisas pra mim, o que às vezes me desgasta. Nos congelamentos procurava posições que trabalhassem a contração máxima dos meus músculos, como ficar agachada, apenas com três apoios, apoio no antebraço. Além da demora para sairmos do congelamento, o ritmo da atividade se intensificou e foram feitas várias interações. Andar que se transformou em corrida com o objetivo de encontrar o corpo mais distante de si para descongelar. Primeiro individualmente, depois em duplas, trios. E cada vez ficava mais difícil e cansativo. Mais corridas com o estímulo das palmas de Léo. Rápido, moderado, rápido, lento, quase parando, moderado, rápido, lentíssimo. Pausa pra água. Agora não lembro se foi exatamente nesse momento. Paredão de frente pro espelho, igual a experimentação na praia, agora com deslocamento no espaço. A dificuldade era de relembrar a sensação do vento gostoso da praia com aquela sala de dança abafada e sem ventilação; o barulho das ondas quebrando, um som sempre constante, diante de total silêncio na sala, que também era constante, inclusive os sons dos corpos em movimento. Lembro vagamente de alguma música no início desse exercício... Léo pediu pra gente se imaginar dentro de um círculo, o meu era pequeno e me senti imprensada, até o momento em que fizemos novamente uma roda. Além do vento e da água, um fogo foi colocado no meio da roda. Tive a sensação de ser a água jogada no fogo, o vento que o espalhava. Inconscientemente começamos a fechar a roda, o elemento fogo nos fez ficarmos mais próximos, o que dificultou um pouco nas movimentações já que a roda circulava. Um som de caixa do Divino Espírito Santo começou a tocar, não lembro como nos separamos, nem o que foi proposto. Com a repetição da música, as matrizes foram fixadas e entrei num processo de exaustão. Sempre ao iniciar minha criação, fecho os olhos pra não sofrer influência de outros corpos. Ah! Foi pedido que entrássemos no ritmo da música sem perder a fluidez. Em vários momentos senti nas minhas movimentações a pomba do Divino, a constância das ondas, a areia, o círculo pequeno, uma saudação ao mar, muitas contrações, ondulação do tronco e pescoço(que até hoje dói), movimentação rápida com a batida da caixa. Chegou uma hora que meu corpo respondia sozinho ao que já vinha fazendo, de tão cansada que estava. Me senti pesada e leve, relaxada e contraída. Na observação de outros corpos consegui enxergar vários momentos na praia, mas pouca relação dos movimentos com as batidas da caixa, que era a proposta. Alguns corpos sempre me chamam mais a atenção que outros. Pra finalizar percorremos a diagonal da sala com a partitura que criamos ao som da caixa. Muitos braços, pernas, verdades, liberdade e milhares de possibilidades de se expressar sensações parecidas.
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