Tivemos um alongamento delicioso com a Marina, sua voz é tão suave, parece que faz um carinho na gente. Percebo cada vez mais o quanto a roda é constante nas nossas atividades, às vezes fazemos naturalmente, durante uma conversa antes do ensaio ou nas experimentações em sala. Além da roda, o toque é outro elemento forte dentro do Atmosfera. A Marina juntou as duas coisas, alongamos nossas pernas segurando no calcanhar do outro e depois subimos apoiados no corpo de quem estava do nosso lado. A roda diminuiu por estarmos abraçados, uma fila foi feita e o primeiro olhava profundamente para quem estava atrás, terminando com um abraço. O restante estimulava o parceiro da frente com algum toque no corpo até chegar a sua vez e ia pro final da fila. Novamente a roda pequena, olhos fechados e senti que todos nós balançávamos, como uma onda. Foi uma sensação deliciosa, naveguei por outros corpos tão entregues quanto o meu. Uma grande felicidade dentro do Atmosfera é que todos, sem exceção, dão o seu máximo, se entregam com a alma. Léo pediu que a gente se arrumasse, fez um mistério... Eu fiquei muito nervosa, já pensei que iríamos experimentar corporalmente algo na rua. Fomos pro Centro Histórico, que fica perto do Teatro Arthur Azevedo, onde ensaiamos às terças e quintas. Ele nos pediu para percebemos o Reviver com um outro olhar, para encontrarmos fluidez. Fiz dupla com Alex. Inicialmente vi o vento quando bate nos galhos das árvores, as trepadeiras, as bandeirinhas dentro da feirinha, o tecido de chita que enfeita as barracas, um boizinho pendurado que estava à venda, o balançar dos cabelos ao andar ou quando o vento batia, o balançar dos tecidos nos corpos, alguns mais acentuados, outros não. Uma negra com um vestido me chamou muito a atenção, por causa do seu andar, ela mexia muito o quadril e consequentemente o vestido fluia no seu corpo. A fumaça dos cigarros, um carinho constante na namorada, um beijo demorado. O Reviver não pára, há sempre movimento, se observarmos bem, veremos a diversidade de corpos e movimentos, o andar é fluido, pernas e braços sincronizados. Garçons, hippies, turistas, namorados, muitos andares se cruzando, com jeitos diferentes e em várias direções. Bocas que estavam sempre em movimento, mãos que pegavam algo constantemente. O fogo que aquecia os tambores na rua, o carrinho que o gari puxava. As nuvens podem nos dar a sensação que os casarões estão em movimento. Cada integrante observou algo diferente, como a música, o ladrilho, as formiguinhas de subiam a parede, o formato circular da praça que induz o movimento. Durante a caminhada, imaginei um corpo nu andando, é pura fluidez! A água é fluida e o nosso corpo tem mais de 70% de água, portanto... Algumas coisas aqui escritas eu não disse, só percebi depois de sentar com calma e relembrar. Muito linda a nossa vivência!
Nenhum comentário:
Postar um comentário