Entrei na sala de dança e o alongamento já havia iniciado. Trabalhar a mobilidade do tronco é um dos meus momentos prediletos, até consegui estralar minha coluna sozinha! Muito contato com o chão, consciência corporal, relaxamento, força e estica e puxa. O enfoque do dia foi princípio de queda e recuperação. Para que a queda não machuque o ator-dançarino, é preciso usar as articulações do corpo e não ter nenhum músculo tensionado. Começamos com as costas no chão, pernas elevadas e flexionadas, relaxamento total do corpo nas laterais e controle abdominal na transição para os lados. O próximo passo foi utilizar o apoio dos braços para elevar apenas o tronco e voltar a deitar e trocar de lado. Em seguida, braços e pernas serviam de apoio para ficarmos em plano médio, até chegar ao plano alto com elevação dos braços e sempre retornando ao chão para alternar os lados. Também experimentamos a queda com impulso das pernas, pernas e braços com deslocamento e queda após um pulo. Mais uma vez se enfatizou a importância de não tensionar o corpo e flexionar as pernas para amortecer o pulo e não machucar o joelho. Esse tipo de experimentação é muito desafiador e o medo é um dos fatores que pode atrapalhar na continuação do trabalho. Foi nos lançada a proposta de incluir algo que nos chamou atenção durante esse feriado dentro da experimentação de queda e recuperação. Uma criança em Panaquatira morreu atropelada por uma mulher que dirigia alcoolizada. Iniciei pela recuperação, levantei devagar e corri como uma criança, mas minha corrida foi interrompida por um obstáculo que me fez cair de uma vez no chão, no caso um atropelamento. Vários corpos contaram lindamente seus fatos. Uma que estava morta de sono e não queria levantar de jeito nenhum, outra que de tanta preguiça para se levantar perdeu a hora e levantou apressada, colheram pedrinhas no chão, flores. Um preto velho bebia sua cachaça, um corpo sendo enxuto. Formou-se um trio e três duplas. Dança do acasalamento, um que caia de bêbado e outra de sono. Eu, Thatielle e Valéria, Gilberto e Marina, Rosa e Valda e Luís e Claúdia.
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