7 de abril de 2010

Eu sou uma Mulher de Shakespeare


Lady Macbeth, Desdêmona, Ofélia são mulheres atemporais. Histórias que se repetem a cada minuto em todos os lugares do mundo, em contextos diferentes. E quem ainda não viveu nenhuma dessas histórias, vai viver!


Qual é a mulher que nunca amou e foi abandonada? E a que sempre se dedicou ao amado e ele envenenado pelo ciúme resolve terminar tudo? Quem nunca cometeu um absurdo por amor?


Conhecer essas obras de Shakespeare foi entrar em um universo desconhecido em mim, a cada semana um desafio, uma nova descoberta. Lidar com o desconhecido, experimentar corporalmente a partitura no momento da apresentação, improvisar, trabalhar mais meu lado teatral, me emocionar ao ponto de não conseguir falar, ver o trabalho nascer, o crescimento em todas nós, as dificuldades semanais, conflitos, dúvidas, tensão, prazer, riso. Poder observar o outro, as várias possibilidades que um tema resulta, sentir a entrega, a dedicação de cada uma.


A partir de um pequeno estímulo outros mundos se conectam e se completam, somos pequenas partes que juntas formam um complexo universo feminino.


Diferentes e tão iguais!


Idade, peso, estado civil, tamanho, forma, sexualidade, estilos de vida.


Amor aos filhos, ao marido, ao namorado, ao amante, a ninguém.


Sangramos, parimos, amamentamos, amamos incondicionalmente.


Somos irmãs, amigas, namoradas, esposas, amantes, mães! O dom que apenas foi dado a nós!


Com o aprofundamento da pesquisa, conheci outras realidades diferentes da minha e me fortaleci com essas histórias, muitas inacreditáveis, mas que são reais. Toda segunda-feira um turbilhão de sentimentos e uma nova Neusa. Me sinto forte, com coragem, sei que não estou sozinha e a vontade que tenho é de gritar ao mundo SOU MULHER!


Sou Lady Macbeth na coragem, no poder em ser mulher e dominadora, forte e decidida no que quero, não sou um objeto nas mãos de um homem, quem os manipula sou eu.


Sou Desdêmona por amar incondicionalmente e com toda a verdade que possuo, tenho voz, enfrento meus próprios medos e bloqueios, não me calo e confronto face-a-face o homem que amo quando acredito que estou certa. Sou submissa ao amor de sinto.


Sou Ofélia quando me sinto dividida entre a razão e a emoção, o certo e o errado, a família e o amor. Quando preciso ser reconhecida pelo homem que amo para me sentir alguém ou quando sou oprimida pelo sexo masculino.


Sou um pequenino grão no meio desse universo, mas essencial para que ele exista.


Sou alegre e triste, brava e brincalhona, tímida e extrovertida, extremamente sincera, um livro aberto cheio de segredos a serem descobertos, barulhenta que sabe a hora de calar, chata e irritada, influenciada pela lua, uma menina de fases.


Sou apenas mulher...

2 comentários:

  1. William Shakespeare:"Vazias as veias, nosso sangue se arrefece, indispostos ficamos desde cedo, incapazes de dar e de perdoar. Mas quando enchemos os canais e as calhas de nosso sangue com comida e vinho, fica a alma muito mais maleável do que durante esses jejuns de padre.

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  2. Uma bela publicacao......
    Isso sim causa a ANEUZAH....maei esse dialeto!

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